Pesquisa PhD

Ferdinand Rebay e a Reinvenção da Música de Câmara para Violão

Ferdinand Rebay (1880-1953) foi um pioneiro dentre os compositores não-violonistas que passaram a compor para o violão nos anos 20. Entretanto, apesar de ter composto mais de 150 obras para violão, ele é hoje injustamente desconhecido. Esta tese examina suas mais de 30 sonatas (ou obras estruturadas como sonata) para violão, cuja maioria é feita de música de câmara para combinações que vão de duos a um septeto. Na parte 1, eu busco definir o lugar das sonatas camerísticas de Rebay no repertório violonístico, entendendo-as como uma reação ao repertório ligeiro praticado nos clubes de violão, os principais nicho de atividade violonística nos países de língua germânica na virada do século. Após investigar o contexto violonístico, eu abordo a carreira de Rebay e sua interação com os círculos violonísticos de Viena, destacando o trabalho de sua principal intérprete, sua sobrinha e violonista Gerta Hammerschmid. Posteriormente, eu analiso o seu estilo composicional e demonstro que, ao associar o violão ao prestígio da sonata Austro-Germânica, Rebay pode ter desejado elevar o status do instrumento perante os olhos das plateias de concerto vienenses. A maneira com que ele explora o violão na música de câmara é igualmente paradigmática, já que ele libera o instrumento de seu típico papel acompanhante e o insere em uma textura completamente equilibrada. Na parte 2, eu investigo um grupo de sete sonatas de câmara, sob o ponto de vista do intérprete. Uma vez constatada a falta de tradição de concerto da obra violonística de Rebay, eu proponho a incorporação de referências técnicas e estilísticas estendidas para lidar com sua música. Estas são em grande parte derivadas de pesquisa histórico-musicológica, ajudando a compreender a sua notação detalhada e a interpretá-la de maneira convincente. Finalmente, eu traço a atividade colaborativa na música de Rebay por meio da informação disponível em seus manuscritos, propondo uma “colaboração póstuma” para lidar com problemas derivados de sua escrita violonística e tornar passagens problemáticas – ou em alguns casos, obras inteiras – executáveis e idiomáticas. Ao inicialmente situar a obra para violão de Rebay e posteriormente abordar alguns de seus mais importantes aspectos interpretativos, eu espero fornecer uma sólida base histórica e interpretativa para o violonista contemporâneo interessado em sua obra.

Esta pesquisa de PhD foi realizada no Royal College of Music em Londres, sob a orientação da Dra. Natasha Loges, e co-orientação do Dr. Stefan Hackl e Dr. Stephen Goss. Teve o apoio da CAPES e da Universidade do Estado de Santa Catarina–UDESC.

Faça o download da tese aqui (em inglês).